Hoje fui muito afetada em uma aula na faculdade, a qual me fez repensar muita coisa sobre a minha vida.
Saí meio atônita da sala, querendo minha casa, minha cama e meu aconchego. Entrei em contato com Nietzsche em toda sua euforia defendendo que temos, para encontrar a felicidade, de esquecer. Ninguém é feliz sem esquecer.
À apresentação dessa ideia foram adicionadas pitadas de "avisos": de que devemos nos desprender das lembranças que nos vinculam aos fatos mais traumáticos, mais pesados, e a tudo que nos liga a um sentimento ruim que muitas vezes (na maioria, na verdade) eu acabo nutrindo. Um outro "aviso" foi o de que sentimos essa experiência de esquecimento frequentemente, já que um indivíduo não consegue viver 24 horas calcado em passado, em dores sem remédio do que passou. Ou consegue? Viver assim é viver infeliz, segundo Nietzsche.
De verdade, não sei o que pensar.
O fato é que me comovi muito, me senti, de fato, como esse exemplo de pessoa que vive nesse passado, que não consegue tecer o presente sem as amarras e os vínculos criados pelo passado. Viver livremente, sem as penúrias, sem os sofrimentos que outrora foram vividos intensamente, mas que agora constituem fantasmas sendo mastigados o tempo todo, tentando extrair o que poderia haver de vida nele.
Mas, o quão doloroso pode ser libertar-se dessas lembranças? Tenho medo. Não consigo conceber a reinvenção, a redescoberta de si sem tudo o que já foi constituído até agora, criar o novo eu.
Acho que tudo é uma questão de se estar pré-disposto à essa reconfiguração de si. Até que ponto o que nos mantêm vivos (e agora me refiro a nós, quand quero dizer só sobre mim) é aquilo que já passou, aquilo que nos deixa tão longe do presente?! Quais as lembranças são vitais?
Justamente nesse ponto, consigo concordar com Nietzsche: reinventar-se, recriar a si e esquecer é para poucos. É para os dispostos ao novo, a abandonar o que foi constituído e assumir às rédeas da vida. E, retomando o que já disse anteriormente nesse blog, deixar de viver à margem do hoje.
Acredito que tudo que me toca, ultimamente, são os indícios de que deve haver uma mudança de postura, uma redescoberta, uma reinvenção, algo muito intrínseco à noção de identidade, em uma onda de comoção que vem desde mapa astral, mensagens sublinares e aulas densas de teoria da história.
Quem sabe logo mais eu faça um manual dessas comoções, para que, se eu não uma dessas poucas que consegue se reinventar, pelo menos eu possa indicar o caminho para os mais dispostos.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
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