A gente disse que nunca ia acabar. O "estar junto" de corpo acaba, como tudo acaba um dia, mas o junto de alma a gente jurava todo dia que ia permanecer. Foram votos mútuos e constantes em cada olhar e em cada toque que diziam que não era fácil assim um tirar o outro da vida, por que você sabe, a gente nunca quis que acabasse.
Foi desde o princípio que eu soube que dessa vez ia ser diferente. A gente costumava dizer que era uma coisa gostosa que nos unia e que talvez fossemos irmãos de alma... tão parecidos, e diferentes o suficiente para não ser suficiente estarmos sozinhos e para surgir a necessidade de ficar perto.
Necessidade é uma palavra interessante. É estranho pensar na possibilidade de um dia dizer "eu necessito de você" para alguém... talvez eu não necessite. O que eu acho que acontece é que agora, quando eu penso no seu abraço me dá um aperto no peito angustiante e me dá uma vontade de chorar que até arde. Causa sofrimento, causa cansaço. De repente eu me vejo sentada, com a cabeça entre as mãos e ofegante, por que cansa. Cansa não estar com você ou saber o que acontece na sua vida. Você é tão parecido comigo que deveríamos ter alguma ligação por pensamento para que eu pelo menos pudesse saber onde você está, o que faz e o que pensa.
No fim das contas, eu só sei que era legal. Era um barato acordar com você e rir do seu cabelo desarrumado até você percebesse que eu queria mesmo é que você desarrumasse o meu. Eu queria que você bagunçasse meu cabelo do jeito que você fez com a minha vida toda desde sempre... aquela bagunça gostosa em que a gente vivia e sabia muito bem onde estava pisando. Queria o sentimento de todo dia, com o gosto do sol indo embora te esperando, e, à noite e te ver chegar com raiva da vida e vê-la se dissipando a cada passo em minha direção.
E a gente disse que nunca ia acabar. Que estava tudo bem. Que manteríamos contato e que construímos algo muito além do comum, nós nutriríamos o nosso "fator x" para sempre... Mas e agora? Onde está o seu abraço? O seu sorriso, aquele meio de canto que você dava enquanto erguia a sobrancelha. Acho que a minha capacidade de adaptação fica bem abaixo do como eu queria e estou disposta a colocar você de volta na minha bagunça, do jeitinho que costumava estar.
Agora, você sabe, eu nunca fui boa em curar minhas feridas, sempre deixei que elas se encarregassem de encontrar uma caixa bem fechada numa estante do meu quarto ou as colocava no bolso. Eu terei que fazer isso com a minha saudade também? Eu terei que me sentar todos os dias aqui, escrevendo para você, transformando a minha dor em verso?
E a gente disse que nunca ia acabar. Que estava tudo bem. Que manteríamos contato e que construímos algo muito além do comum, nós nutriríamos o nosso "fator x" para sempre... Mas e agora? Onde está o seu abraço? O seu sorriso, aquele meio de canto que você dava enquanto erguia a sobrancelha. Acho que a minha capacidade de adaptação fica bem abaixo do como eu queria e estou disposta a colocar você de volta na minha bagunça, do jeitinho que costumava estar.
Agora, você sabe, eu nunca fui boa em curar minhas feridas, sempre deixei que elas se encarregassem de encontrar uma caixa bem fechada numa estante do meu quarto ou as colocava no bolso. Eu terei que fazer isso com a minha saudade também? Eu terei que me sentar todos os dias aqui, escrevendo para você, transformando a minha dor em verso?

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