segunda-feira, 12 de junho de 2017

Mais um recomeço

Caro leitor inexistente, ao abrir essa página, depois de muitas tentativas para resgatar minha senha e login, veio o primeiro susto. Mais de um ano separam a mulher que escreveu sobre as maravilhas do amor próprio dessa que está sentada em frente a tela agora. Mais de um ano, muitas visitas ao passado, às dores, aos traumas. O que me levou a voltar foi a procura de um espaço para trabalhar a vontade de me reencontrar. Geralmente sou a pessoa que fala pouco. Falo muito das amenidades, mas sobre mim? Quase nada. Chega uma hora em que ser a pessoa fechada, que prefere ouvir, que se recusa a abrir caminho para chegarem até o fundo, fica pesado demais. Sempre fui conhecida como a amiga ótima conselheira, prestativa, que vê com clareza e sempre oferece uma palavra de conforto. Com o passar do tempo, dos anos, dos acontecimentos, cada palavra de conforto se tornou cada vez mais vazia. Não reconheço meus conselhos, as amenidades que troco com os amigos, não me reconheço. A vontade de escrever hoje sobre o amor, sobre o dia 12 de junho, sobre a felicidade que é amar alguém, me trouxe até aqui. Eu não imaginava que a vontade de fazer uma narrativa simples e honesta do amor, por parte de uma solteira, me traria tantas reflexões sobre mim, sobre minha relação com o mundo, sobre a relação com a mulher que escreveu aqui a última vez em maio do ano passado. Acho que esse é, no fim das contas, mais um recomeço. Mais linhas que resumem o fato de que escrever talvez seja a maneira mais segura de me encontrar dentro do emaranhado composto pelo que eu sou, pelo que criei, pelo que eu ainda queria ser. Estou tentando voltar para o que já conheço. O que eu já sei. Pensando nisso, resolvi voltar, me estimular para que a cada diaa confusão que me tornei se organize. Ou não. Que, ao menos, seja mais leve conviver com tudo que me tornei. Conto com você, leitor inexistente, nesse processo desafiador de tornar minha vida mais suportável. Cada vez que retornar, que não seja um momento extremo e de necessário recomeço, mas uma lufada de ar fresco no meio das futuras crises. Até o próximo encontro (e que seja em breve, M.

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