Eu acho que, mesmo depois de tanto tempo, a única coisa que eu consigo fazer é sempre ficar no mesmo discurso, pedir para que me entendam, mas, no fundo, eu nem sei mais porque eu peço isso.
Acredito que, na verdade, eu só me esconda atrás do mesmo discurso porque evito sempre as palavras que deveriam ser faladas... talvez porque meu discurso é capaz de englobar sentimentos bons, que não ferem ninguém, e que também não me ferem, já que só conseguem explanar a confusão que existe em mim.
Um amigo, uma vez, me disse que eu tenho o hábito de "guardar pessoas no bolso".
Saio por aí, distrubuo e recebo afeto (das mais diferentes formas) e guardo esse afeto no bolso, sem ao menos pensar que essas pessoas com quem lido também sentem, amam, chorar, gostam e desgostam. Egoísmo? Talvez. É o modo como consigo lidar com tudo que passa por mim.
Que fique claro que pouquíssimas pessoas sabem dessa teoria do guardar no bolso, e poucas tiveram o desprazer de se reconhecerem como guardadas no bolso.
Eu digo desprazer, porque, por puro egoísmo, ou por gostar demais, faço dessas pessoas meu porto-seguro, uma base... mas isso não dura muito. Não dura porque eu já nem sei mais discernir quando é o sentimento do "agora" ou quando é a lembrança do que havia antes...
Pode ser que eu considere conveniente ter sentimentos na bagagem, ilustrados por pessoas queridas e que eu queira ter sempre junto de mim. Mas pode ser prejudicial, e terrivelmente maléfico, que eu queira que essas pessoas estejam presas à mim e ao meu dispor quando minha falta de amor-próprio se torna latente.
É bem isso... falta de amor-próprio. Não quero, e longe de mim, está me esconder atrás da falta de vontade que meu eu apresenta de habitar meu corpo, para justificar o que exponho e faço com as pessoas. Talvez essa postagem sejá só para colocar para fora o que eu sinto em dizer para pessoas específicas que povoam meu bolso.
Se torna inevitável aquele meu pensamento batido de que só machuco os outros. É um querer bem que vem à tona com uma roupagem ruim, com um descaso e com um medo da escolha errada e que remete tanto à sentimentos antigos que quase me sufoca.
Eu sufoco os outros.
Bom, não adianta, não é mesmo?! Tentar me justificar, e simplesmente dizer "você não me entende...", ninguém entende e nem nunca vai entender. É tudo parte da bagunça em que se encontra o meu bolso, e o que eu decido fazer com ele.
Não consigo parar de pensar que pode ser melhor para todo mundo que eu simplesmente troque de roupa, e assim, esvazie os bolsos.
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