E quando o que vem de dentro é mais forte que qualquer coisa que já possa ter sido visto por fora?
São os dias escuros, nublados… eu sei que essa é a única
explicação. A justificativa da terra molhada, do cheiro úmido e de cada
nuvem pesada e negra como a espessa névoa dentro de mim. É o que
conforta. Estações vêm e vão e acabam trazendo para a minha dor a trégua
de um dia ensolarado. É o fardo pesado para quem se julga frágil, e é a
surpresa de uma vitória em meio a trovoadas. É iluminado e é sombrio.
Contraditório. As vezes.
As vezes é a pretensão dos seres humanos, as vezes é o orgulho
desenfreado e as vezes é a cobiça cega… e as vezes sou eu. As vezes sou
só eu contando uma história sem remediações para meu reflexo na frente
do espelho. Talvez seja mais brando do que eu julgo, talvez seja a
tragédia perfeita para alguém já tão acostumado com tragédias
inventadas.
A verdade é que todo mundo sempre adora uma historinha de amor para
acalmar o coração, todo mundo gosta de um drama barato para desviar a
atenção dos próprios lixos cotidianos, todo mundo quer se enganar. E eu
não julgo… eu desejo me enganar as vezes. A mentira, a ilusão, o engano,
ou como decidir chamar isso… acalma o coração, faz as dores ficarem
suaves. Pelo menos até o anoitecer. O anoitecer é trevas… ou não.
A dor é dor. A ilusão é só uma ilusão que a gente a cria para
desviar a atenção, pode ser um misto de orgulho e indiferença para não
lidar com aquilo que é real demais a ponto de causar náuseas. E embora
minha reflexão sobre isso seja clara demais, e eu saiba que a dor da
realidade depois da ilusão barata criada é o chão, de repente eu me
perco no meu labirinto de novo e esqueço de toda a coisa bonita que é
ver tudo claro.
Bem claro.
As vezes…

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