terça-feira, 29 de maio de 2012

flightless life

A realidade é amarga, azeda.. corre como chama acesa por entre as veias, é um veneno que queima.
A ilusão é um veneno doce, é o beijo lindo em meio à chuva branda, é luz do amanhecer por dentre as pálpebras semi-cerradas. É viciante, algo pela qual qualquer insano romântico se jogaria no precipício da dúvida, da cegueira induzida..mesmo que não lúcida.
O retrato do quadro ilusório não se esconde em reinos distantes, não é a flor azul das montanhas cobertas por neve, não é o sonho real de dentro da torre mais alta. Sou eu. É você. É a motivação da lágrima suavemente deslizando na face branca, branca… É o porquê das valsas no esconderijo secreto, é a razão do pedido por algo fantástico. É a música que faz o coração bater, é o choro se deparando com a inexistência do fantástico, é a a palpitação alegre do fechar de olhos e o sentir do toque com cheiro de pétalas que não existe.
A realidade é o olhar o topo da árvore e não mais imaginar um pássaro sem voô em seu ninho, mas a independência em meio ao aconchego. É o rasgar da fita de aliança entre você e seu desejo maior, a dor de tudo que quebra e que parte sem ao menos ter feito parte da parte que falta. A mistura do doce e do amargo que não dá a sensação maravilhosa do sonho em si, mas a esperança. A esperança que cessa? A esperança é azeda? A esperança do irreal é mórbida. É escura e é barulhenta. É um zumbido insuportável.
Um pássaro sem voô, um pedaço faltando, incompleto. A realidade sem a ilusão é cega, é seca… é o vinho tinto seco puro, sangue. A ilusão sem a realidade é fantasia, é ver arder o veneno nos ratos dançando a mais singela melodia da alma, é sonhar com o perfeito sem limites…sentir o hálito inebriante quando se está só na sala vazia, só na própria existência.

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