A realidade é amarga, azeda.. corre como chama acesa por entre as veias, é um veneno que queima.
A ilusão é um veneno doce, é o beijo lindo em meio à chuva branda, é
luz do amanhecer por dentre as pálpebras semi-cerradas. É viciante,
algo pela qual qualquer insano romântico se jogaria no precipício da
dúvida, da cegueira induzida..mesmo que não lúcida.
O retrato do quadro ilusório não se esconde em reinos distantes,
não é a flor azul das montanhas cobertas por neve, não é o sonho real de
dentro da torre mais alta. Sou eu. É você. É a motivação da lágrima
suavemente deslizando na face branca, branca… É o porquê das valsas no
esconderijo secreto, é a razão do pedido por algo fantástico. É a música
que faz o coração bater, é o choro se deparando com a inexistência do
fantástico, é a a palpitação alegre do fechar de olhos e o sentir do
toque com cheiro de pétalas que não existe.
A realidade é o olhar o topo da árvore e não mais imaginar um
pássaro sem voô em seu ninho, mas a independência em meio ao aconchego. É
o rasgar da fita de aliança entre você e seu desejo maior, a dor de
tudo que quebra e que parte sem ao menos ter feito parte da parte que
falta. A mistura do doce e do amargo que não dá a sensação maravilhosa
do sonho em si, mas a esperança. A esperança que cessa? A esperança é
azeda? A esperança do irreal é mórbida. É escura e é barulhenta. É um
zumbido insuportável.
Um pássaro sem voô, um pedaço faltando, incompleto. A realidade sem
a ilusão é cega, é seca… é o vinho tinto seco puro, sangue. A ilusão
sem a realidade é fantasia, é ver arder o veneno nos ratos dançando a
mais singela melodia da alma, é sonhar com o perfeito sem
limites…sentir o hálito inebriante quando se está só na sala vazia, só
na própria existência.

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