Faz tempo tempo que as coisas aconteceram. Faz tanto tempo e parece que foi tão rápido.
Eu não tenho certeza se estou preparada para falar de tudo isso de novo. Não sei se está na hora de revirar o baú novamente, procurando por algum detalhe que passou batido pelos meus olhos ansiosos, cheios de vontade de ver uma cena bonita, daquelas que eu colecionei com tanto cuidado. Talvez não seja, talvez eu só esteja tentando encher a minha vida de algo que valeu a pena, em algum momento, procurando uma inspiração para seguir em busca de algo parecido, ou diferente na medida certa pra me fazer sentir alguma coisa de novo.
Minhas tentativas de avaliar tudo, inúmeras vezes, incansávelmente vem dessa minha obsessão em manter viva uma coisa que só pulsa em mim, com vigor algumas vezes, mas na maior parte do tempo, uma veia minha lutando para sobreviver, quase que gritando por ajuda.
Pode ser que isso aconteça porque foi o único momento da minha vida, até agora, em que me senti envolta por uma coisa tão mágica, tão minha, que saía de mim, para encontrar em outra pessoa... Mas o que eu sentia não vem ao caso. Nisso eu não preciso mexer, eu sei bem que o que eu sentia não está sendo posto à prova.
Quero revirar isso tudo de novo pra saber em qual momento eu me perdi, e fiquei imersa nisso em que me encontro até hoje. Em que tudo me afeta, me atinge, mas nada me tira dessa. Em qual momento perdi a total confiança de que podia sentir essa mágica toda de novo. Pode ser doloroso, mas a cada dia, a cada mês, eu tento revisitar tudo o que perdi para sentir de uma forma mais madura, saber lidar com tudo de forma que nada morra, ao contrário, que eu saiba lidar.
De fato, eu amadureci muito. Amadureci ao ponto de não precisar revisitar o passado (será?) para ter certeza de sentimentos que ficaram lá, a ponto de me adaptar com o fato de que sim, alguma coisa ficou lá. Mas que isso é fato, eu não posso voltar para lá e recuperar alguma coisa, até porque isso não envolve só o que eu sinto, só o que eu espero das coisas, da vida.
É difícil demais lidar com as mudanças. É difícil saber administrar um tempo que era dedicado com outra pessoa, pensando em outra pessoa. É realmente muito difícil pensar em mim, mesmo depois de tanto tempo. Fatores acumulados que me tornaram uma pessoa tão nostálgica, tão presa aos anos que passaram. Quase que no mundo a lua constantemente, revisitando lugares onde estivemos, pessoas com as quais falamos, e até as que falavam de nós.
Quase que certamente, na semana que vem, eu terei vontade de revisitar tudo isso de novo. Vou procurar um detalhe esquecido que faça de tudo aquilo uma novidade, a fim de manter aquela veia pulsando, mesmo sabendo que ela me prende tanto à minha metade que se afundou com os planos que foram feitos a toa... Talvez eu me revisite e chegue à uma conclusão, algo desperte e eu consiga falar de maneira madura e compreensível que não vivo mais à margem de mim. Que consegui me doar à vida real e ao agora. Que consegui cuidar de mim e de outra pessoa, nova, que não pertence ao passado saturado de um nome só, escrito em negrito em mim.
Quem sabe eu saia da margem, me canse desse baú, que devia estar empoeirado e esquecido, e mergulhe de cabeça no que eu preciso agora: viver. Sem sombras, sem fantasmas e sem aquele sonho. Porque aquele sonho já foi.
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Um comentário:
Gostei demais!
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